Tava eu preparando café e ouvindo uma playlist de musiquinhas leves, quando entra na caixinha de som a música Avec moi, do Froid com participação da Liniker. Você ta lá escutando um rapzinho e de repente entram umas palavras em francês. Não perdi a oportunidade de mandar pro boy, mas fiquei ali pensando que essa música ilustra um fenômeno linguístico que eu conheço desde o mestrado, o code switching — alternância de código. É basicamente o fato de um falante mudar de uma língua (ou variedade) pra outra, pra atingir efeitos de sentido na interlocução. O termo também é utilizado para analisar contextos maiores, por exemplo quando se quer entender por que uma comunidade bilíngue utiliza uma língua e não outra em determinados contextos. Eu me interesso bastante pelas situações de code switching de indivíduos porque ela retrata algo que sempre aconteceu na minha casa, em que moram duas pessoas falantes de inglês e português: a gente usa termos em inglês aqui e ali pra mobilizar um ...
*Texto publicado no facebook em 31 de janeiro de 2023. ----------------- Semana passada participei de uma aula com estudantes de 1o ano de licenciatura em Educação do campo. Uma estudante, tão logo descobriu minha área de especialidade, veio com o comentário "quando a gente for professor tem que corrigir os alunos pra falarem certo né.. como faz?". Eu já sou preparada pra esses momentos e faço todo um movimento socrático pra pessoa chegar à conclusão de que corrigir a fala de alguém não serve pra nada e ainda pode resultar em mecanismos inibidores. O assunto é tão feijão com arroz na profissão que já essa semana me pula na timeline um caso que é exatamente isso: gente corrigindo o jeito que os outros falam. Foi o caso da Larissa do BBB sendo corrigida pelo seu amigo Cara de Sapato (risos). O vídeo tá na mão, graças ao meu amigo linguista especialista em big brother, Vitor Hochsprung, e você vê logo abaixo. A Larissa fala que as provas passam a ter "menas pessoas" e ...